SÉRGIO CORTIZO - Mudanças Climáticas e Energia  
 
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PROJEÇÕES DO 4º RELATÓRIO

As projeções para o clima do planeta apresentadas no 4º Relatório de Avaliação foram desenvolvidas e publicadas independentemente por diversos pesquisadores, e posteriormente revisadas, avaliadas e resumidas pelo IPCC (em 2007). A íntegra deste documento está disponível no site www.ipcc.ch.

O gráfico abaixo apresenta a média das projeções para o aquecimento superficial do planeta de vários modelos de simulação, para alguns cenários de emissões do RECE:

Médias Multimodelos e Intervalos Avaliados para o Aquecimento Superficial

As linhas contínuas representam as médias globais do aquecimento da superfície produzidas por vários modelos (relativas a 1980-1999) para os cenários A2, A1B e B1, mostradas como continuações das simulações do século XX. O sombreamento denota a faixa de ± 1 desvio padrão para as médias anuais individuais dos modelos. A linha alaranjada representa o experimento em que as concentrações foram mantidas constantes nos valores do ano 2000. As colunas cinzas à direita indicam a melhor estimativa (linha contínua dentro de cada coluna) e a faixa provável avaliada para os seis cenários marcadores do RECE. (IPCC, AR4, WG1)

Em certa medida, o aquecimento a curto prazo não depende de qual cenário RECE ocorrerá:

Para as próximas duas décadas, projeta-se um aquecimento de cerca de 0,2ºC por década para a faixa de cenários de emissões do RECE. Mesmo que as concentrações de todos os gases de efeito estufa e aerossóis se mantivessem constantes nos níveis do ano 2000, seria esperado um aquecimento adicional de cerca de 0,1ºC por década. (IPCC, AR4, WG1)

A tabela seguinte ilustra alguns dos impactos previstos em decorrência de diferentes aumentos da temperatura global média da superfície no século XXI:

 
 

 

Exemplos ilustrativos dos impactos globais projetados para diferentes aumentos da temperatura global média da superfície no século XXI.

Exemplos ilustrativos dos impactos globais projetados para diferentes aumentos da temperatura global média da superfície no século XXI. As linhas pretas relacionam os impactos, as setas tracejadas indicam os impactos que continuam com o aumento da temperatura. Os dados são dispostos de modo que o lado esquerdo do texto indique o início aproximado de um determinado impacto. Os dados quantitativos para a escassez de água e as inundações representam os impactos adicionais da mudança do clima relativos às condições projetadas para a faixa de cenários RECE: A1FI, A2, B1 e B2. A adaptação à mudança do clima não é incluída nessas estimativas. Os níveis de confiança para todas as declarações são altos. (IPCC, AR4, WG2)

 

 
 

 

As projeções indicam um aquecimento maior do hemisfério Norte, onde há mais poluição:

Projeções das mudanças na temperatura

Projeções das mudanças na temperatura da superfície para o início e o final do século XXI, em relação ao período-base 1980-1999. Os painéis mostram as projeções médias de vários Modelos de Circulação Geral da Atmosfera-Oceano para os cenários B1 (em cima), A1B (no meio) e A2 (embaixo) do RECE para as décadas 2020-2029 (no centro) e 2090-2099 (à direita). (IPCC, AR4, WG1)

A exatidão e a confiabilidade destas projeções podem ser avaliadas pelo grau de concordância entre os diversos modelos independentes avaliados no 4º relatório:

Projeções das mudanças na temperatura

Projeções das mudanças na temperatura média da superfície para o início e o final do século XXI, em relação ao período-base 1980-1999. Os painéis mostram as incertezas como probabilidades relativas do aquecimento global médio estimado a partir de diferentes estudos. Alguns estudos apresentam resultados apenas para um subconjunto dos cenários do RECE ou para várias versões dos modelos. Portanto, a diferença no número de curvas deve-se apenas às diferenças na disponibilidade dos resultados. (IPCC, AR4, WG1)

Em consequência deste aumento esperado da temperatura média do planeta:

Projeta-se que o gelo marinho diminua tanto no Ártico quanto na Antártica em todos os cenários do RECE. Em algumas projeções, o gelo marinho ártico do final do verão desaparece quase completamente até a última parte do século XXI. (IPCC, AR4, WG1)


É muito provável que extremos de calor, ondas de calor e eventos de forte precipitação continuem sendo mais freqüentes. (IPCC, AR4, WG1)


Com base em uma gama de modelos, é provável que os futuros ciclones tropicais (tufões e furacões) fiquem mais intensos, com maiores picos de velocidade de ventos e mais precipitação extrema associados aos aumentos atuais das temperaturas de superfície do mar nos trópicos. (IPCC, AR4, WG1)

O aquecimento global expõe todas as formas de vida da Terra a dois tipos de risco: (i) aqueles que podem ser calculados e previstos; e (ii) aqueles riscos totalmente imponderáveis, para os quais não há previsão científica disponível nem mesmo em termos de probabilidade de ocorrência.

Entre os riscos previsíveis estão centenas de milhões de seres humanos expostos à fome, à sede e a doenças já nas próximas décadas; a destruição de milhares de ecossistemas e a extinção em massa de espécies animais e vegetais por todo o planeta. Todas as formas de vida têm uma capacidade natural de adaptação a mudanças no seu meio-ambiente, inclusive o ser humano. Essa capacidade varia bastante de uma espécie para outra, mas tem sempre um limite, a partir do qual a extinção é certa.

O principal risco imponderável parece ser um aumento súbito do nível do mar, de até 12 metros: o gelo das calotas polares deve demorar séculos para derreter, mas pode desmoronar no oceano em um prazo relativamente curto (meses ou anos), o que levaria a um aumento imediato no nível do mar. O IPCC adverte que:

Processos dinâmicos relacionados com o fluxo de gelo que não constam dos modelos atuais mas foram mencionados em observações recentes poderiam aumentar a vulnerabilidade dos mantos de gelo ao aquecimento, aumentando a futura elevação do nível do mar. A compreensão desses processos é limitada e não há consenso sobre a sua magnitude. (IPCC, AR4, WG1)

Ou seja, não há estimativas confiáveis nem mesmo da probabilidade disso ocorrer. As "observações recentes" mencionadas na passagem acima provavelmente se referem ao colapso da banquisa Larsen B, na Península Antártica: no início de 2002, esta plataforma de gelo de 3.000 Km2 de extensão desmoronou no mar em apenas 35 dias.

A gravidade de tais projeções, baseadas em estudos científicos, alertou o mundo para a urgência da mitigação das mudanças climáticas: adoção de medidas que atenuem o efeito estufa nos próximos anos e décadas, antes da ocorrência de impactos praticamente irreversíveis (que exigiriam milhares ou milhões de anos para o retorno à situação original, como reconstituição das geleiras continentais polares) ou absolutamente irreversíveis (como a extinção de espécies).

O aquecimento antrópico e a elevação do nível do mar continuariam durante séculos em razão das escalas de tempo associadas aos processos climáticos e realimentações, mesmo que as concentrações de gases de efeito estufa se estabilizassem. (IPCC, AR4, WG1)


Tanto as emissões antrópicas de dióxido de carbono passadas quanto as futuras continuarão contribuindo para o aquecimento e a elevação do nível do mar por mais de um milênio, em razão das escalas de tempo necessárias para a remoção desse gás da atmosfera. (IPCC, AR4, WG1)

O quarto relatório do IPCC expressa claramente o consenso científico atual a respeito da vulnerabilidade de todo o planeta ao aquecimento global:

É provável que a mudança do clima não mitigada supere, em longo prazo, a capacidade de adaptação dos sistemas naturais, manejados e humanos. (IPCC, WG2, AR4)

Em outras palavras: se nada for feito a respeito, o ser humano poderá desaparecer da face da Terra em consequência das mudanças no clima do planeta que ele próprio causou.

Mas agir com a presteza necessária não será fácil, pois a dependência mundial dos combustíveis fósseis como fonte primária de energia torna os custos econômicos da mitigação extremamente altos, o que provocará grandes tensões geopolíticas nos próximos anos.



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