SÉRGIO CORTIZO - Mudanças Climáticas e Energia  
 
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CONCLUSÕES DO 4º RELATÓRIO

Publicado em 2007, o 4º Relatório de Avaliação do IPCC apresentou uma revisão da literatura científica sobre mudanças climáticas publicada desde 2001. A íntegra deste documento está disponível no site www.ipcc.ch.

Uma primeira conclusão importante é o consenso geral entre os especialistas a respeito da DETECÇÃO de mudanças no clima da Terra como um todo:

O aquecimento do sistema climático é inequívoco, como é agora evidente pelas observações de aumento das temperaturas médias globais do ar e do oceano, de derretimento generalizado de neve e gelo, e de elevação do nível do mar. (IPCC, AR4, WG1)

Os gráficos abaixo mostram claramente o aquecimento do sistema climático nos últimos 150 anos:

Aquecimento global

Mudanças observadas na (a) temperatura média global da superfície, (b) média global da elevação do nível do mar a partir de dados de marégrafo (azul) e satélite (vermelho) e (c) cobertura de neve do Hemisfério Norte para março-abril. Todas as mudanças são relativas às médias correspondentes para o período de 1961 a 1990. As curvas suavizadas representam valores médios decenais, enquanto que os círculos indicam valores anuais. As áreas sombreadas são os intervalos estimados com base em uma análise abrangente das incertezas conhecidas (a e b) e nas séries temporais (c). (IPCC, AR4, WG1)

Esse aumento da temperatura não foi uniforme no globo: o hemisfério Norte esquentou mais do que o Sul. Nas regiões onde houve mais aquecimento foram observadas mais alterações em sistemas naturais, como vemos no gráfico abaixo:

Variação da temperatura e alterações significativas registradas em sistemas naturais entre 1970 e 2004.

Os locais de mudanças significativas nas observações dos sistemas físicos (neve, gelo e solo congelado; hidrologia; e processos costeiros) e sistemas biológicos (terrestres, marinhos e de água doce) são mostrados juntamente com as mudanças na temperatura do ar da superfície ao longo do período de 1970 a 2004. Um subconjunto de cerca de 29.000 séries de dados foi selecionado de cerca de 80.000 séries de dados de 577 estudos, com base nos seguintes critérios: (1) término em 1990 ou depois; (2) cobertura de um período de pelo menos 20 anos; e (3) indicação de uma mudança significativa em qualquer direção, como avaliado individualmente nos estudos. Essas séries de dados provêm de 75 estudos (dos quais cerca de 70 são novos desde o Terceiro Relatório de Avaliação) e contêm por volta de 29.000 séries de dados, das quais em torno de 28.000 são de estudos europeus. As áreas brancas não dispõem de dados suficientes de observação climática para que se possa estimar uma tendência da temperatura. (IPCC, AR4, WG2)

A pesquisa científica moderna sobre as bases físicas do aquecimento global (avaliadas pelo grupo de trabalho I no 4º Relatório do IPCC) fundamenta-se na construção de MODELOS MATEMÁTICOS DE SIMULAÇÃO do sistema climático. Vários desses modelos já foram VALIDADOS, isto é, comprovaram sua capacidade de simulação reproduzindo as variações observadas no passado no clima da Terra.

Nestes modelos são representados os fatores naturais e antrópicos (causados pelo ser humano) que influenciam o clima do planeta através dos seu respectivos forçamentos radiativos:

Forçamentos radiativos

Estimativas do forçamento radiativo (FR) e barras de incerteza em 2005 para o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4), o óxido nitroso (N2O) antrópicos e outros agentes e mecanismos importantes. O forçamento radiativo antrópico líquido e sua faixa também são mostrados. Isso requer a soma das estimativas assimétricas da incerteza dos termos componentes e não pode ser obtido por simples adição. Os aerossóis vulcânicos contribuem com um forçamento natural adicional, mas não são incluídos nesta figura em razão da sua natureza episódica. A faixa para as trilhas de condensação lineares não incluem outros efeitos possíveis da aviação ou da nebulosidade. (IPCC, AR4, WG1)

Os forçamentos radiativos dos principais gases de efeito estufa (GEE) foram calculados a partir das respectivas concentrações atmosféricas:

concentrações atmosféricas dos principais gases de efeito estufa.

Concentrações atmosféricas de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso ao longo dos últimos 10.000 anos (painéis grandes) e desde 1750 (painéis inseridos). As medições são obtidas a partir de testemunhos de gelo (símbolos com diferentes cores para os diferentes estudos) e amostras atmosféricas (linhas vermelhas). Os forçamentos radiativos correspondentes são mostrados nos eixos do lado direito dos painéis grandes. (IPCC, AR4, WG1)

Não há dúvidas a respeito da origem desses gases:

Os aumentos globais da concentração de dióxido de carbono se devem principalmente ao uso de combustíveis fósseis e à mudança no uso da terra. Já os aumentos da concentração de metano e óxido nitroso são devidos principalmente à agricultura. (IPCC, AR4, WG1)

A questão da ATRIBUIÇÃO das mudanças climáticas é um tanto complexa: como determinar cientificamente a causa do aquecimento do planeta?

Isto é feito através dos modelos de simulação do sistema climático, pela confrontação do aumento detectado na temperatura do planeta com aquele que seria esperado incluindo ou excluindo nestes modelos os diversos forçamentos radiativos:

 
 

 

Atribuição do aquecimento global

Comparação das mudanças observadas de escalas continental - e global - na temperatura da superfície com resultados simulados por modelos climáticos, usando-se forçamentos naturais e antrópicos. As médias decenais das observações são apresentadas para o período de 1906 a 2005 (linha preta) plotadas sobre o centro da década e relativas à média correspondente para 1901-1950. As linhas são tracejadas quando a cobertura espacial é inferior a 50%. As zonas azuis indicam a faixa de 5 a 95% para as 19 simulações dos cinco modelos climáticos com o uso apenas dos forçamentos naturais devidos à atividade solar e aos vulcões. As zonas vermelhas mostram a faixa de 5 a 95% para as 58 simulações dos 14 modelos climáticos com o uso dos forçamentos natural e antrópico. (IPCC, AR4, WG1)

 

 
 

 

Podemos ver que em todos os 9 gráficos acima a temperatura observada está dentro da faixa vermelha e fora da faixa azul no final do século XX. Com base neste argumento, mas reconhecendo que os modelos de simulação fazem simplificações e estão sujeitos a erros e incertezas, o IPCC conclui que:

É muito provável que a maior parte do aumento observado nas temperaturas globais médias desde meados do século XX se deva ao aumento observado nas concentrações antrópicas de gases de efeito estufa. (IPCC, AR4, WG1)

Na linguagem técnica do IPCC, "muito provável" significa "com mais de 90% de chance". No terceiro relatório (2001) o grau de certeza científica da atribuição do aquecimento do planeta ao aumento exagerado dos gases-estufa na atmosfera foi estimado pelo IPCC em 66%.

No 4º Relatório de Avaliação o IPCC atribuiu, pela primeira vez, uma faixa provável (66% de chance) para a estimativa da sensibilidade climática:

É provável que a sensibilidade climática de equilíbrio esteja na faixa de 2 a 4,5ºC, com uma melhor estimativa de cerca de 3ºC. (IPCC, AR4, WG1)

A partir deste dado, podemos estimar o aquecimento encomendado do planeta: se um forçamento de 3,7 W/m2 (situação de referência) acarreta um aumento da temperatura de 3ºC (melhor estimativa da sensibilidade), o forçamento atual de 1,6 W/m2 deve provocar um aquecimento final da ordem de 1,3ºC (após a restauração do equilíbrio).

Como o aumento total de temperatura do planeta desde 1850 foi de 0,76ºC [0,57ºC a 0,95ºC], o aquecimento já comprometido do sistema climático é da ordem de 0,54ºC. Ou seja, mesmo que as emissões sejam reduzidas a zero imediatamente (o que é improvável: as emissões estão aumentando), a temperatura subiria ainda mais de meio grau, devido à inércia do sistema climático.

Os modelos matemáticos de simulação do sistema climático também são a ferramenta científica básica na elaboração de PROJEÇÕES: previsões científicas para o clima do planeta no futuro.

Os resultados, contudo, dependem de quanto será emitido de gases-estufa nos próximos anos. A fim de padronizar o trabalho dos pesquisadores, e fornecer uma base comum de comparação de seus resultados, o IPCC publicou no ano 2000 um Relatório Especial com vários cenários de emissões para o século XXI.

Estes cenários foram usados nas projeções para o clima apresentadas no 4º Relatório de Avaliação do IPCC.



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